Retiro Nacional reacendeu a chama da fé na XVI edição

1 março 2026

Segundo e último dia do evento reuniu testemunhos e fervor evangelizador

 

O Centro de Eventos Positivo, em Curitiba (PR), foi palco do XVI Retiro Nacional, nos dias 28/2 e 1º/3. Mais de seis mil fiéis se uniram a Padre Reginaldo Manzotti e aos comunicadores da Associação Evangelizar é Preciso para um final de semana que convidava a “reacender a chama: voltar para o primeiro amor”, tema central da programação.

Já na fila, testemunhos vivos aguardavam a abertura do portão. Entre eles, Marilda Almeida, de Mandaguaçu (PR). Ela clamou, em 2025, pela reestruturação de sua família. Havia se separado do marido, que enfrentava o vício do álcool, e a filha havia saído de casa. Neste mesmo ano, sua irmã, Vanessa, estava no Retiro Nacional e, durante uma das pregações, com temática familiar, fez uma ligação transformadora. “Eu estava em casa, e pediu que ligasse a televisão para assistir à Adoração ao Santíssimo. Ela tinha colocado o meu nome e o do meu esposo em oração, para que a gente se reconciliasse e a minha família fosse restaurada. Enquanto o Padre Reginaldo falava, liguei para o meu esposo e falei para ele ver também. Hoje eu vim aqui para agradecer e dar o testemunho de que a minha casa, a minha família, está restaurada, graças a Deus. Ele limpou o nosso lar das grosserias e salvou meu marido do alcoolismo, além de minha filha ter retornado. Foi por meio da televisão que conseguimos ter a nossa fé reacendida e receber essa graça”, confidenciou, emocionada.

Marilda veio agradecer pelas graças recebidas. Foto: Larissa Nicolosi | Associação Evangelizar é Preciso

Vanessa Winski, a intercessora, veio com a irmã e a sogra, Lúcia Winski, e são associadas. Além do milagre recém-citado, viram Lúcia se curar de um agressivo câncer de intestino, e comprovam o poder da fé. “É preciso acreditar que, perseverando, alcançará a graça. Através da oração do outro, da imposição das mãos ou de qualquer forma”, afirmou Vanessa. Assim, o trio foi um exemplo entre tantos outros de pessoas vindas num ano para clamar e, no outro, para agradecer.

Vanessa e Lúcia são associadas há anos. Foto: Larissa Nicolosi | Associação Evangelizar é Preciso

 

Frieza da alma

O domingo começou cedo, às 9h, com abertura e espiritualidade. Após, Padre Reginaldo Manzotti iniciou a terceira pregação da edição. Ele embasou a palestra no Diário de Santa Faustina (1228), quando a Mensageira de Jesus fala do termo “almas gélidas”. “São aquelas frívolas, sem fervor. É o mal do século na vida espiritual, pois pecam por estarem fracas na fé”, disse o Sacerdote, ao complementar a necessidade de exercitar a fé, tanto quanto o corpo. Todos estão suscetíveis a passar por essa frieza, e se demonstra em atitudes como ir à Missa e não ter costume de rezar, por exemplo. “É imune ao Evangelho. O famoso ‘eu já sei disso’. Não rejeita Jesus, mas esquece de amá-Lo”, explicou. Este coração endurecido pela frivolidade afeta a rotina, ainda mais em tempo quaresmal, quando a esmola é um dos pedidos. Três passos são precisos para descongelar e, por consequência, voltar ao primeiro amor: refazer sempre o ato de confiança em Deus, mergulhar na misericórdia divina e realizar obras caritativas.

Ao falar de gelo, fala-se também de fogo, da chama do dom de Deus existente em cada um. Neste momento, Padre Reginaldo Manzotti trouxe a realidade de Jó, a qual inspirou seu novo livro, chamado “Inabalável”. “O título é uma característica desse fiel. Ao perder tudo, ele disse: ‘Deus deu, Deus tirou. Louvado seja Deus’. Será que agiríamos assim?”, provocou. Em seguida, mostrou um quadro com a cena de Jó e a esposa. Ela, por pouca fé, fala ao esposo para blasfemar o Senhor, devido tudo parecer perdido. O exemplo é válido até a atualidade, ao refletir sobre quantas pessoas agem como ela a fim de estimular a crítica ao Pai.

Ainda sobre Jó, que estava quebrado pelas perdas, Padre Reginaldo Manzotti relacionou à técnica japonesa Kintsugi, baseada em reformar cerâmicas, sobretudo as valiosas, com ouro. A ideia marcar as rachaduras a fim de relembrar a trajetória. Assim também é Deus: almas em frangalhos são restauradas por Ele com o ouro puro de Seu amor. Então, rezou: “Deus, eu sei que me enxergas, eu sei que me amas, peço, Senhor, que o Teu ouro puro da misericórdia, o ouro puro do Teu amor, possa preencher todas as minhas rachaduras. Filho, você pode ter vindo para cá em cacos, mas voltará inteiro. Deus derramou o Ouro de Ofir e te consertou!”, clamou.

Em situações como a de Jó, é humano a chama existente enfraquecer. “Se sentir isso, não se desespere: o fogo de Deus não se apaga. O Espírito Santo é o sopro que mantém viva a chama do amor de Deus”, mencionou Padre Reginaldo Manzotti.

O Paráclito não é um arrepio de oração, é a Terceira Pessoa da Santíssima Trindade. Nunca nos abandona, mas pode ser diminuído pelo pecado realizado, sejam os veniais, sejam os mortais. Para o “Padre que arrasta multidões”, é preciso viver um novo Pentecostes. Por meio da ação do Espírito Santo, vem o sopro, a ação faz com que não se viva baseado no “esforço de fazer”, mas no de “permanecer em Deus”, a partir das atitudes simples e diárias, na reeducação das falas em casa e no costume de rezar as jaculatórias em meio à rotina. É, em resumo, fazer tudo como um ato de amor gratuito.

Silvana Santana foi inspirada por esse sopro. Ela veio com a irmã, Sílvia, na caravana de Maringá (PR). Ambas são associadas há anos, e vieram ao Retiro Nacional pela quarta vez. Ao contrário de outras edições, vieram sem notar o tema. Ao ouvirem as pregações, se sentiram completamente tocadas. “Eu precisava desse contato com o primeiro amor. Seguimos, buscamos, mas chega um momento em que a gente se neutraliza. E aqui tive um resgate pessoal mesmo. Foi um dos melhores Retiros que eu já vivi até hoje”, confidenciou Silvana. “É como se meu ano só começasse após o Retiro. A partir daqui, percebo que só com o sopro do Espírito Santo”, afirmou Sílvia.

Irmãs e associadas fiéis. Foto: Larissa Nicolosi | Associação Evangelizar é Preciso

 

Perseverar no fogo do amor

Ao entoar “Fica Senhor, comigo”, música inspirada na oração de São Pio de Pietrelcina, intercessor da Associação Evangelizar é Preciso, Padre Reginaldo Manzotti abriu a quarta pregação com uma forte reflexão. “Não há circunstância que Deus pode não estar conosco. Se pensa estar num lugar que seria vergonha para Ele, então não é adequado para você. Se eu não posso estar com Deus aqui, que eu não esteja”, disse.

Embasado em 1Coríntios 13, falou sobre a realidade do amor. Se o fogo, para permanecer aceso, precisa de combustível, o amor das nossas vidas se alimenta de gestos de bondade. A fogueira da alma se mantém com nó de pinho, mas é necessário jogar gravetos diariamente, como ser paciente consigo e com o próximo. Isso é perseverar e, também, ecoar a virtude.

Os “extintores” tentam tirar os fiéis da chama de Deus. O Sacerdote trouxe três pilares para manter o amor vivo:

  1. Memória: nas dificuldades, lembre-se do quanto Deus foi sustento em outros momentos. A consolação d’Ele servirá como cobertor da alma, para não esfriar;
  2. Comunidade: vá à Missa, aos grupos de oração e outras partilhas e convívios. A vida de fé em comunidade une as brasas, fortalece e reacende as de quem enfraqueceu;
  3. Eucaristia: o mais puro azeite para manter a chama acesa. Comungar é a força vinda de Cristo.

Somos chamados a ser sarça ardente, que queimava, mas não se consumia. O sentimentalismo torna a sociedade imatura afetivamente e, ao contrário disso, servir a Deus não é sentimento, é decisão. “Estamos aqui pois precisamos ser melhores. Se o Retiro é realizado no início do ano, é para que você já comece com outras prioridades. O amor de Deus é para te transformar!”, incentivou o Sacerdote.

Entretanto, é necessário ser cuidadoso. Quem tem a luz, também pode queimar os outros com a rigidez, com o julgamento e com a impaciência. “Nunca use o fogo que Deus te deu para machucar alguém. Use sempre para fazer o outro crescer espiritualmente. Quem tem fogo no coração, incendeia o mundo inteiro”, afirmou.

Por fim, a manhã foi fechada com a afirmação: quem estava ali, teve uma experiência com o Espírito Santo. Em 1º de março de 2026, Deus reacendeu a chama do amor no coração dos presentes.

 

Fé morna nunca mais

À tarde, Padre Jorge Fortunato rezou o Terço de Jesus das Santas Chagas, com preces especiais a cada dezena. Em seguida, fiéis subiram ao palco para trazer testemunhos alcançados pela devoção e mais um intenso momento de fortalecimento espiritual foi realizado por Padre Reginaldo Manzotti.

O evento foi finalizado com a Santa Missa do segundo domingo quaresmal, aberta a todos e conduzida pelo Arcebispo Metropolitano de Curitiba, Dom José Antonio Peruzzo, e concelebrada por Padre Reginaldo Manzotti e Sacerdotes parceiros da Associação Evangelizar é Preciso. Assim, a edição de 2026 foi finalizada, mas a vida nova na chama do primeiro amor acabou de começar na vida de quem viveu esse final de semana.

 

Para ver ou rever o segundo dia do XIV Retiro Nacional, clique aqui.

Para conferir a cobertura do sábado (28), acesse aqui.

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